“Na Mira do Atirador” mostra os EUA dominados

EUA, 90 min, 2016, dir. Doug Liman

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Sob o ponto de vista estadunidense, mas recheado de questionamentos, “Na Mira do Atirador” (“The Wall”), dirigido por Doug Liman (Sr. & Sra. Smith, 2005), é um filme de guerra, onde o inimigo não é visto. Ele se passa em um campo de batalha no Iraque, em 2007, quando o presidente dos EUA na época, George W. Bush, havia declarado ”que a vitória estava próxima”.

Os soldados norte-americanos Shane Matthews (John Cena: Pai em Dose Dupla, 2015) e Allan Isaac (Aaron Taylor-Johson: Animais Noturnos, 2016) estão encurralados, observados por um atirador iraquiano que intercepta a comunicação e tem controle total da situação. Não aparece, mas sabe de tudo. Vez ou outra, o espectador assume o ponto de vista do atirador, com a câmera focada na mira de uma arma, quando é possível ouvir a respiração e, muitas vezes, o riso irônico dele.

Pelo rádio, o iraquiano se comunica com o soldado Isaac, se fazendo passar por um aliado estadunidense. Apesar de logo ser identificado como inimigo pelo sotaque, o atirador insiste na comunicação como forma de intimidação e chantagem.

Nos diálogos, sequências de generalizações e senso-comum. O atirador se diz civil, mas está ali, na guerra. Revela que as ruínas onde o soldado do EUA está era uma escola e que, antes de se tornar um combatente, ele era professor em Bagdá. Inteligente e culto, faz referências ao “Coração Delator”, de Edgar Allan Poe, texto que aborda a loucura de um homem obsessivo pelo olho de um velho.

O soldado norte-americano diz “nós treinamos vocês”, cita Shakespeare e é zombado pelo iraquiano, que ressalta o repertório limitado e padronizado da cultura dos EUA.

Em outro diálogo, o atirador questiona: “se a guerra acabou, o que vocês ainda estão fazendo aqui?” Sem resposta, emenda “a guerra não acabou!”.

Com poucos atores e um cenário restrito a um campo de guerra, o diretor Doug Liman usa o suspense para manter o interesse do espectador. A narrativa oscila entre a possibilidade iminente da morte e a salvação que vem como um suspiro. O clima de estresse é constante, levando à fadiga não apenas os personagens.

E, como se não bastasse, para causar mais incômodo, a câmera foca o soldado tirando uma bala da própria perna com um alicate.

Nesse clima de tensão, o filme faz a representação do inimigo onipotente e onisciente que os EUA querem tanto eliminar. Desfecho este que não está perto de acontecer.

“Na Mira do Atirador” estreou no dia 24 de agosto e o trailer pode ser visto aqui.

Autor: Leide Jacob

Sou produtora cultural, apaixonada por cinema, literatura, artes plásticas, cênicas e música. Mas gosto do silêncio, para me ouvir. E do barulho, vez em quando, para gritar.

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