“O pão e o beco” é looping

Iran, 10 min, 1970, dir. Abbas Kiarostami

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Não basta ser gênio, tem que ser Kiarostami. Se cinema é contar história, ele já começa sua carreira produzindo um filme com final aberto e em looping.

Não é a toa que em seu currículo contam mais de 46 filmes (IMDb), muitos consagrados, como “Gosto de Cereja”, de 1997 (Palma de Ouro no Festival de Cannes), “E o vento nos levará”, de 1999 (Leão de Ouro no Festival de Veneza), além de outros também premiados e que são temas de estudos frequentes nas escolas de cinema, como “Close-up”, de 1990, e “Ten”, de 2002.

Em 10 minutos, sem diálogos e com uma estética neo-realista, “O pão e o beco” traz como trilha inicial trechos da música “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, dos Beatles e conta a história de um garoto e seu dilema ao encontrar um cão bravo que se torna um obstáculo para chegar em casa.

Suas aflições e dúvidas são explicitas como o uso frequente de planos aproximados, em close up, mostrando sua expressão de angústia diante do seu impasse.

O garoto resolve o problema oferecendo um pedaço de pão para o cão que passa a segui-lo até a sua casa, ficando ali parado na porta. Mas na seqüência outro garoto vem caminhando, levando suas compras, e, ao vê-lo passar, o cão, novamente bravo, late forte.

Apesar de oferecer ao espectador a liberdade de imaginar o que vem depois, Abbas Kiarostami, otimista, sugere repetição da estória em looping. Genial.

Com tantos significados e simbolismos, o filme possibilita inúmeras interpretações, passando de analises mais amplas de como se chegar a resolução de problemas; a questão da persistência e força de vontade; relação entre homem-cães e seus interesses etc. Muito assunto para um filme que nos mostra o essencial, sem maquiagem.

Kiarostami faz assim, revela a vida de forma simples. A gente que complica.

Você pode assistir “O pão e o beco” aqui.

Autor: Leide Jacob

Sou produtora cultural, apaixonada por cinema, literatura, artes plásticas, cênicas e música. Mas gosto do silêncio, para me ouvir. E do barulho, vez em quando, para gritar.

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